O Templo do Lotus Negro (T.L.N.) é um ramo ou veículo externo da Ordem do Lotus Negro reconhecido como o centro ou “arcabouço iniciático” a partir do qual a O.L.N. foi fundada ou teve sua influência expandida, especialmente pelo seu Frater Superior Helio Monteiro (Dharmagupta).
O termo “arcabouço iniciático” refere-se à base doutrinária e espiritual de nossa ordem, o conjunto de princípios, filosofia, símbolos e alegorias que compõem a estrutura fundamental dos ensinamentos da O.L.N.
A Ordem do Lotus Negro (O.L.N) é uma ordem esotérica e iniciática conhecida por trabalhar com um sistema de Magia Cerimonial de base hermético-gnóstica, frequentemente incorporando elementos do Tantra hindu e da Encantaria brasileira.
Ritos de Apathanatismos
Os Ritos de Apathanatismos constituem a fundamentação litúrgica e iniciática do Templo Lotus Negro e de sua Missa Teúrgica.
Esses rituais estão geralmente ligados a tradições místicas e mágicas da Antiguidade Tardia, com o objetivo de alcançar um estado temporário de imortalidade ou renovação espiritual.
Existem referências a esses rituais em textos antigos de magia como nos Papiros Mágicos Gregos (PGN) e na Liturgia de Mitra, onde a busca pela deificação ou transcendência era um tema principal. O termo "apathanatismos" tem sua origem no grego, significando algo como "tornar-se imortal" ou “livre da morte”.
Esses ritos não buscavam a imortalidade física do corpo, mas sim uma transformação espiritual ou um renascimento, que concederia ao praticante transcender a condição humana comum e obter consciência ou poderes divinos.
Ascensão Mística
O objetivo central dos Ritos de Apathanatismos era a ascensão mística através das esferas cósmicas para encontrar uma divindade superior (como Hélios-Mitras), alcançando um estado temporário ou permanente de consciência divina.
O processo envolvia invocações a divindades, uso de encantações místicas, técnicas de respiração, e, em algumas versões, o uso de um óleo mágico especial, culminando em uma ascensão extática para ver a divindade solar em sua verdadeira forma.
Em resumo, os Ritos de Apathanatismos eram práticas esotéricas destinadas a proporcionar uma experiência espiritual profunda de união com o divino e a superação simbólica da condição mortal, através de uma ascensão mística ou imortalização temporária.
Sete graus de iniciação
Os primeiros sistemas gnósticos incluíam uma teoria de sete céus e uma região supercelestial chamada Ogdóadica que refere-se aos primeiros oito Eons (emanações divinas) que surgem do Deus Supremo. Teorias astronômicas introduziram o conceito de sete esferas planetárias com uma oitava acima delas, a esfera das estrelas fixas (zodíaco) representando os oito Eons. Eles formam, em seu conjunto, o Pleroma Ogdoático que é própria totalidade da existência divina e cósmica, um universo completo e preenchido por divindades.
O Mitraísmo, uma religião de Mistérios da Roma Antiga, possuía um sistema hierárquico de sete graus de iniciação, cada um associado a um planeta tutelar e a símbolos específicos. Esses graus representavam uma jornada progressiva de transformação espiritual e autoconhecimento.
A progressão por esses graus era um caminho de ascensão espiritual e autoconhecimento que envolvia rituais secretos (os mistérios mitraicos) e a superação de desafios simbólicos. Os detalhes exatos dos rituais são difíceis de conhecer devido à natureza secreta do culto, mas o sistema de sete graus é bem estabelecido na pesquisa acadêmica sobre o tema.
Acredita-se que os sete graus estavam associados ao “drama mítico da ascensão da alma por meio das esferas celestes”, um conceito presente em diversas tradições místicas que sugere um processo de purificação e libertação de aspectos negativos, culminando em um estado de maior elevação espiritual.
Essa jornada da alma, ou do ser, através das esferas celestes pode acontecer após a morte ou por meio de estados alterados de consciência, como o êxtase ou iluminação.
A viagem inicia-se nas esferas planetárias – da Lua até Saturno – e se estende até a oitava esfera, a faixa das estrelas fixas, chamada Primum Mobile, o motor primeiro que impulsiona o cosmos.
Este drama mítico é presente em várias tradições místicas e esotéricas, onde a alma, ao descer à existência terrena, passa por diferentes esferas, cada uma com suas características e provações, e ao retornar, ascende por essas mesmas esferas, purificando-se e evoluindo espiritualmente.
As Sete Esferas Planetárias
Na cosmologia antiga, o universo era frequentemente descrito como um conjunto de esferas concêntricas, com a Terra no centro e as demais esferas (Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno) girando ao redor. Nessa tradição, de base astrológica, o Sol e a Lua são chamados de planetas por conta de sua “mudança de posição" visível ao longo do dia, sob a nossa perspectiva.
No Ocultismo as sete esferas planetárias são utilizadas como símbolos apropriados para diferentes níveis de realidade ou consciência que existem além do mundo físico. São freqüentemente vistas como reinos espirituais ou fontes de influência que podem ser acessadas para crescimento pessoal, iluminação ou domínio da realidade.
As sete esferas formam os chakras cósmicos do corpo invisível de Adão Kadmon (o Homem Celeste) que, por reflexo no microcosmo humano, encontra sua correspondência com os sete centros de energia ou chakras do corpo sutil e com forças astrológicas, angélicas, daemônicas e elementais a eles ligados.
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